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  APL de Redes em Jaguaruana subir

A produção de redes de Jaguaruana está inserida no setor secundário da economia, sendo classificada no ramo têxtil com especialização na fabricação de redes de dormir. Na cidade havia várias pequenas fábricas de redes de dormir que passavam por uma experiência anormal: caminhavam para a falência. Longe de estar na fabricação dos produtos, pois a cidade destacava-se como grande produtora, o problema residia na falta ou abandono de clientes. Dentre as medidas tomadas para solucionar o problema, foi adotada a aplicação de microcrédito, esperando-se, assim, uma revitalização do setor. Mas nada disso aconteceu. Para mudar essa realidade, por meio de um diagnóstico do setor, realizado no segundo semestre de 2002, alguns empresários tiveram acesso a dados que referendavam a decadência da atividade há muito por eles suspeitada. Insatisfeitos, e respaldados pelo diagnóstico, resolveram agir. Em mar de 2003, os empresários Izaac Lima Coelho, Aldenir Costa Lima, Josemar Nunes Pinheiro, José Pinheiro Júnior, Ana Paula da Silva, Maria Lucimar da Silva e Cristiano Mauro Soares, assessorados por técnicos do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/CE) e da Prefeitura de Jaguaruana, reuniram um grupo de fabricantes de redes para discutirem os seus problemas.

Das discussões, constataram que existia, entre outros graves problemas, uma concorrência predatória entre eles e, devido a experiências associativas passadas, mal sucedidas, a desconfiança predominava. A partir daí, resolveram criar, em setembro de 2003, a Associação dos Fabricantes de Redes de Jaguaruana (Asfarja), sociedade civil sem fins lucrativos, balizada em valores humanísticos e associativos. Esta decisão reacendeu a chama da esperança nos rostos daqueles empresários que, marcados pelas decepções advindas do mundo dos negócios, começaram a vislumbrar um futuro passível de proporcionar desenvolvimento e solidez a uma atividade que há tanto os sustentava.

Entre os produtos oferecidos, estão a rede de casal natural com varanda, rede de casal estampada com varanda, rede de solteiro com esticador, rede de solteiro, rede-cadeira com varanda e a rede/cadeira/sofá com varanda, com produção anual de  199.600.
As matérias-primas e insumos utilizados na produção, como fio de algodão, sabão, cloro e madeira, são fornecidos por empresas locais. A tinta e o fixador são adquiridos em outros municípios do Ceará. A maioria dos fornecedores é caracterizada por pequenas e médias empresas.

Na cidade, foram localizados três fornecedores de fios, dois fornecedores de peças e 15 mil pessoas autônomas que fornecem varandas e acessórios. Em relação às necessários para produção, como teares, são adquiridos no Sul e Sudeste do Brasil.
As  empresas, estabelecimentos e produtores (formais e informais) são dividicos da seguinte forma:

Formais: 30
Informais: 170
Micro e Pequeno Porte: 19
Médio Porte: 11
Mercado Interno: R$ 299.400,00 (ano 2005)

O mercado de destino da produção segue à seguinte distribuição: 35% para lojas, 25% para outros estados norte e nordeste, 25% para o consumidor direto e 15% para o mercado externo - Europa, Estados Unidos e Austrália.

Entre as ações para o desenvolvimento do Arranjo Produtivo da cidade está a implantação de uma Unidade de Tingimento que irá proporcionar um diferencial no produto, ampliando as possibilidades de conquistas de novos mercados. Outro desafio é a conquista de novos mercados e a ampliação do número de associados.

  APL de Artesanato de Palha de Palhano subir

A placa de sinalização na entrada da cidade já diz tudo: “Palhano, Terra da Palha”. Pertencente à microrregião do Baixo Jaguaribe, Palhano dista 150,10km da capital do Estado e tem como principais vias de acesso a CE 065 e as BRs 116 e 222.  O artesanato na palha de carnaúba é atividade tradicional no município, transmitida de geração em geração, exercida por mulheres da comunidade.

Estima-se que a produção artesanal, inicialmente só de chapéus de palha, de mesma cor (natural) e forma, teve início há mais de cem anos, com sua venda direcionada, principalmente, aos trabalhadores da agricultura. O número de produtores informais está em torno de 500. Através da Ceart, as produtoras fizeram cursos específicos na área da fabricação das peças, inclusive sobre tingimento da palha. A partir de cursos ofertados pelo SEBRAE e CEART, na própria localidade, as artesãs, hoje, também trabalham com a palha do milho, da própria região, doada por proprietários rurais locais. O volume da produção mensal é de 2400 peças.

  APL de Bovino Cultura Leiteira em Morada Nova subir

 O arranjo produtivo encontra-se localizado no município englobando, inclusive, o perímetro irrigado de Morada Nova. Distante 161 Km de Fortaleza, o Morada Nova apresenta via de acesso em bom estado de conservação, que facilita o desenvolvimento do APL.

A atividade pecuária está intimamente ligada aos municípios cearense, já que o interior do Estado foi desbravado pela exploração da bovinocultura, que se expandiu na caatinga como praticamente a única alternativa econômica durante dois séculos.  Na década de 70, no município de Morada Nova, foi implantado o projeto de irrigação em uma área de mais de 1000 hectares, tendo a bovinocultura leiteira como principal atividade econômica. Neste período foram importadas matrizes leiteiras especializadas da Argentina da raça holandesa mas que aos poucos foram substituídas por bovinos regionais de dupla aptidão (leite e carne).

A pecuária leiteira é uma atividade que apresenta grande importância sócio-econômica para o município de Morada Nova, principalmente pelo fato de ser explorada essencialmente por mão-de-obra familiar. A cidade ocupa a sétima colocação no Ceará em produção de leite.

O principal produto da atividade é o leite, porém, a venda de animais de descarte e de machos oriundos desse rebanho torna-se também uma importante renda aos produtores.
De acordo com dados do IBGE (2005), a produção de leite no município de Morada Nova, em 2005, foi de 25.084 litros de leite/dia, significando 175.594 litros de leite/semana e 763.000 litros de leite por mês.

O farelo de soja, o resíduo de algodão e o milho compõem as principais matérias primas para a alimentação do rebanho. Produtos como medicamentos veterinários também representam importância de consumo pelos produtores e nos últimos anos iniciou-se a utilização em escala maior de adubos químicos e de semens para inseminação artificial.

A produção se caracteriza como uma atividade produtiva familiar, com diversos pequenos produtores localizados em fazendas e sítios do município e em lotes no perímetro irrigado.  A maioria dos produtores comercializa o leite in natura. O arranjo conta com uma cooperativa (COOPEMOVA), fundada em 1956, a qual tem mais de 200 associados ativos.

A cooperativa trabalha com diversas atividades agropecuárias, mas a bovinocultura leiteira é a que representa maior importância econômica, haja visto que Morada Nova se mostra com uma grande bacia leiteira e com grande potencial de produção. A empresa CBL (Companhia Brasileira de Laticínio) encontra- e instalada no município desde 1995. Nesta indústria, são produzidos diversos produtos lácteos, incluindo leite integral longa vida UHT, leite pasteurizado, manteiga, bebida láctea, iogurtes, queijos, entre outros. O leite é todo adquirido no Ceará, tendo o município de Morada Nova boa participação no total de leite processado pela indústria, que atualmente gira em torno de 250.000 litros/dia.

O leite captado pela cooperativa é vendido para a Indústria e também para algumas queijarias espalhadas no município. A atividade apresenta contrastes na produção, tendo propriedades com níveis diferenciados de tecnologia.  Enquanto que alguns produtores apresentam bons níveis de eficiência, uma outra parte convive com índices insatisfatórios. O grande desafio para os produtores da região é utilizar de forma eficiente os recursos hídricos e produzir o volumoso em quantidade e qualidade, principalmente para o período crítico do ano (junho a dezembro). A falta de disponibilidade de forragem aos rebanhos leva os produtores a suplementarem em maior quantidade com ração concentrada, elevando o custo consideravelmente.

Entre as ações para o desenvolvimento do Arranjo Produtivo da cidade está a implantação de uma assistência técnica especializada e sistemática, o fortalecimento na organização dos produtores, incentivo à instalação de novas indústrias de laticínios na região e o fortalecimento das queijarias através de investimentos dos processos tecnológicos e gestão.

  APL de Fruticultura irrigada em Limoeiro do Norte subir
 

Na região da Chapada do Apodi, a atividade de agricultura irrigada foi iniciada no final da década de 80 por meio de um projeto do Governo Federal (Projeto FAPIJA). Inicialmente produziam-se apenas grãos, utilizando sistemas de irrigação de pivô central. A partir de 1996, iniciou-se, também através do projeto, a atividade de fruticultura irrigada na região. Com o passar do tempo, e o desenvolvimento da fruticultura, esta passou a se o carro-chefe da região.

Os principais produtos são mamão, goiaba, banana e, também, manga, ata, sapoti,
melancia, uva, pimentão, pimenta, abacaxi, etc. Os preços dos produtos são bastante variados, com forte sazonalidade e muito suscetível às oscilações dos mercados regional, nacional e internacional.

A produtividade do arranjo é bastante satisfatória devido a diversos fatores como a fertilidade do solo, a disponibilidade, irrigação do Rio Jaguaribe, uso de tecnologia adequada etc. Na Chapada do Apodi (Limoeiro do Norte) existem cerca de 320 pequenos produtores, sendo cerca 170 ligados a produção de grãos e cerca de 150 dedicados à atividade de fruticultura irrigada.

O projeto inicial para a região previa que cada lote deveria ser de propriedade de um pequeno produtor, contudo, com o tempo, alguns proprietários venderam seus lotes para outros produtores que detém hoje uma propriedade maior. É comum que esses produtores maiores, que tem melhor acesso ao mercado, comprem três toda a produção dos menores e a comercializem em troca de uma porcentagem da venda.
Estima-se que esse arranjo gere cerca de 950 empregos diretos, havendo forte tendência do aumento desse número devido à expectativa de expansão do arranjo, que ainda é bastante jovem e encontra-se em ascendência.


  APL de Artesanato de Palha em Itaiçaba subir

O artesanato de palha de carnaúba é atividade tradicional no município, sendo transmitida de geração em geração e é exercida essencialmente por mulheres da comunidade. A Ceart realiza um trabalho com as artesãs, que proporcionou a elas participar vários cursos como gerenciamento, teoria das organizações e cursos específicos na área da fabricação das peças, inclusive sobre tingimento da palha. O trabalho começou com a participação de poucas artesãs (apenas 15), mas, aos poucos, as artesãs do município foram aderindo à iniciativa da Ceart e fundaram a Associação Comunitária das Mulheres Artesãs de Itaiçaba, que hoje conta com cerca 250 associadas e sete clientes, em Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo, além da Ceart. A associação possui uma estufa para armazenar a palha durante o inverno evitando, assim, problemas como mofo, mudança de cor da palha, etc.

O artesanato de palha é bastante diversificado. Alguns produtos fabricados são: cestas, bolsas, luminárias, porta talher, bandejas, descanso de pratos, jogo americano, porta objetos, etc. Os produtos são fabricados com a palha da carnaúba da região. São feitos da palha natural e/ou palha tingida, tornando-as bem coloridas. Na associação, a produção mensal chega a 2.400. As produtoras de palha do município já participaram de 4 feiras nacionais (Brasília, São Paulo e Mato Grasso). O processo de produção é altamente centralizado. As artesãs fazem todo o produto em suas residências, apenas o tingimento é feito na associação com a orientação da presidente. No município existem cerca de 380 produtores.

Existe uma dificuldade crescente de aquisição da matéria-prima, pois as folhas de carnaúba estão se tornando cada vez mais difíceis de serem adquiridas. As folhas são retiradas dos terrenos nas proximidades do município, muitas vezes, sem a permissão do proprietário. Isto tem gerado conflitos e os proprietários têm começado a colocar vigilantes nos terrenos. Segundo algumas artesãs, as pessoas que invadem os terrenos cortam as folhas de forma inadequada, ocasionando, muitas vezes a morte da árvore. Algumas produtoras têm optado por comprar de pessoas da região ao invés de tentar coletá-las nos terrenos.

Entre os pontos para o desenvolvimento do Arranjo Produtivo na região estão: o maior envolvimento de instituições (prefeitura, Sebrae) com os produtores locais, para se buscar soluções para problemas relacionados com a produção, compra de insumos, capital de giro e comercialização dos produtos; realização de cursos de capacitação técnica e gerencial para os produtores; aquisição de um galpão para armazenar devidamente as matérias-primas e os produtos finais.

  APL de Cerâmica Vermelha em Russas subir
 

A fabricação de cerâmica vermelha possui cerca de 30 anos. A principal estratégia de sobrevivência é a existência abundante da matéria-prima (argila) e também a facilidade no seu manuseio. Outro ponto forte do arranjo é a sua localização geográfica, próximo a BR 116, o que favorece o escoamento da produção pois torna o frete mais barato.

A atividade produtiva se iniciou no município de Russas principalmente porque toda região é localizada sob uma bacia de barro, o que estimulou a população aproveitar o potencial da matéria-prima. Mas foi com a descoberta de uma máquina produzida artesanalmente, a extrusora, que os produtores puderam construir diversas olarias a custos baixos capazes de produzir melhores produtos em maior quantidade.

Os principais produtos são: telhas extrusadas e os blocos de vedação (tijolo de furo). A distribuição é feita através de fretes, apenas 30% dos produtores possuem carro próprio. As cerca de 80 empresas existentes no município, cada uma emprega em média 22 pessoas diretamente e 44 indiretamente (cortador de lenha, caminhoneiro, carregador, borracheiro, etc.). No total, elas produzem 32 milhões de peças por ano. As principais matérias-primas utilizadas são a argila (retirada da própria região2), a lenha (70% poda de cajueiro e 30% nativa), água e energia. Entre as máquinas, são usadas, principalmente, a máquina para extração, pá carregadeira e caçamba.

A atividade possui a Associação dos Ceramistas. Em relação à produção, 55% é vendida no próprio estado e 45% é vendida para Bahia, Pernambuco, Sergipe, Pará, Piauí, Maranhão, principalmente nos dois primeiros.

Entre as ações para o desenvolvimento do Arranjo Produtivo da cidade está um fortalecimento da cadeia produtiva; fortalecimento dos Centros e Núcleos Tecnológicos com o objetivo de gerar e transferir tecnologia e conhecimento para o setor; realização de programas especiais de promoção da competitividade visando o conhecimento técnico-científico da matéria-prima, diminuição dos desperdícios, diminuição dos impactos ambientais, rebaixamento dos custos, diversificação dos produtos, melhoria da qualidade do produto e conhecimento mercadológico.