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A Região que chamamos de Baixo Jaguaribe é composta pelos municípios cearenses de Alto Santo, Ibicuitinga, Itaiçaba, Jaguaretama, Jaguaribara, Jaguaruana, Limoeiro do Norte, Morada Nova, Palhano, Quixeré, Russas, São João do Jaguaribe, Tabuleiro do Norte.

A região do Baixo Jaguaribe desde cedo assumiu papel de grande importância na história da formação do Estado do Ceará, quer como acesso preferencial aos sertões da antiga província (aproveitando-se de sua rede hídrica), quer como área propícia para instalação de população, dada à fertilidade do solo aluvial e a presença abundante de água em boa parte de seu território. No contexto da economia local, porém, a região somente veio a se consolidar ao longo do Século XVIII, em virtude da pecuária e, especialmente, da comercialização das mantas de carne bovina salgada ou charque, motivando, entre outras, a elevação de Russas à categoria de vila em 1799.

Finda a Época do Couro, como a denominou o historiador cearense Capistrano de Abreu, devido ao crescimento da atividade no Rio Grande do Sul e aos efeitos devastadores da Seca Grande (1791-1793), a região jaguaribana atravessou período de intensas dificuldades, subsistindo a sua população por meio da criação de rebanho bovino, então diminuída, como potencialidade econômica, e do plantio de gêneros alimentícios de primeira necessidade.

Com a crise de abastecimento da matéria-prima para as indústrias têxteis européias, conseqüência da Guerra da Secessão Americana (1861-1865), uma vez mais a região pode assistir dias melhores, servindo-se das margens ribeirinhas para o plantio do algodão com vistas ao fornecimento daqueles mercados consumidores. O porto de Aracati, assim, outrora largamente utilizado para o embarque do charque, torna-se o principal centro de escoamento da produção algodoeira até a conclusão das obras das Estradas de Ferro de Baturité, em 1878, e de Sobral-Camocim. Neste período, foram elevadas à condição de vila as localidades de Riachuelo (atual Jaguaretama) e de União (hoje, Jaguaruana), em 1865; de Limoeiro do Norte, em 1868; e de Morada Nova, em 1976.

Mais tarde, na primeira metade do século XX, a valorização da cera de carnaúba no mercado europeu favoreceu, depois da cotonicultura, a segunda especialização do uso do território jaguaribano para fins de integração ao mercado internacional, aproveitando-se, para tanto, das abundantes áreas de carnaubais existentes na planície aluvial do rio Jaguaribe. Os médios e grandes fazendeiros, anteriormente envolvidos com a exploração da pecuária e o plantio do algodão, vêem-se seduzidos a investir na industrialização da cera de carnaúba, cujo êxito pode-se verificar na exportação do produto, através dos portos de Fortaleza e, principalmente, do de Aracati. Da década de 60 em diante, dada a substituição da matéria-prima natural por produtos sintetizados artificialmente, iniciou-se o processo de desvalorização da cera de carnaúba, acarretando a elevação dos custos de produção e a diminuição do preço junto aos mercados consumidores.

Na década de 50, a planície aluvial, já então desprovida de carnaubais, foi gradativa- mente ocupada por pomares, cuja expansão deveu-se ao uso de cataventos para irrigação das culturas de banana, laranja e limão, e do crescimento dos mercados consumidores das cidades de Fortaleza, Mossoró, Natal e Recife. As melhorias nos sistemas de transportes e comunicações também foram fundamentais ao escoamento da produção frutífera.

De fato, a consolidação da fruticultura nas áreas ribeirinhas só teve início vinte anos depois, em 1978, com a modernização agrícola, favorecida pela introdução de técnicas mais avançadas e eficientes de irrigação, materializada pela implementação dos perímetros públicos irrigados em Morada Nova e Jaguaruana, e do PROMOVALE/Programa de Valorização Rural do Baixo e do Médio Jaguaribe.

A partir de 1989, iniciando a utilização econômica agrícola das áreas não ribeirinhas do Vale Jaguaribano, põe-se em funcionamento a primeira fase do Projeto Jaguaribe-Apodi, na Chapada de Apodi, modificando drasticamente o uso do território da região. Municípios como Quixeré, foram beneficiados com implantações de indústrias - como a Del Monte, maior produtora de melão do Estado do Ceará - e assiste a um período de desenvolvimento ímpar, refletindo-se na multiplicação de emprego e renda para os habitantes do município e de áreas circunvizinhas. Os investimentos públicos e privados nas áreas dos perímetros irrigados definiam a necessidade de abertura de novas estradas e ligações, objetivando a ligação dos principais centros produtores com seus mercados próximos, como a Estrada do Melão, já concluída, entre Quixeré e Mossoró, e a estrada ligando Russas ao Rio Grande do Norte.

Com a atual implantação do Açude Castanhão e do Eixo de Integração Castanhão/RMF, responsável pela criação do município de Nova Jaguaribara, desenvolvem-se os projetos de irrigação Tabuleiro de Russas e o de ampliação do Jaguaribe-Apodi que irão acarretar, no futuro imediato, surgimento de novas oportunidades para o desenvolvimento de atividades econômicas ligadas à agricultura irrigada e cadeias de agronegócios, além de melhoria das bacias leiteiras, piscicultura, lazer e turismo.

DADOS GERAIS SOBRE A REGIÃO
MUNICÍPIOS
ÁREA
(km²)
POPULAÇÃO ESTIMADA
2006
PIB
(2004)
PIB P/CAPITA (2004)
IDH 2000
Alto Santo
1.339,74
16.713
R$ 33.851.000
R$ 2.076,00
0,654
Ibicuitinga
424,242
10.054
R$ 23.074.000
R$ 2.339,00
0,642
Itaiçaba
209,49
7.228
R$ 22.511.000 
R$ 3.203,00
0,641
Jaguaretama
1.759,72
18.352
R$ 45.874.000
R$ 2,513,00
0,645
Jaguaribara
668,291
9.478
R$ 49.025.000
R$ 5,301,00
0,653
Jaguaruana
867,251
32.557
R$103.036.000
R$ 3.251,00
0,654
Limoeiro do Norte
751,535
55.474
R$ 186.549.000 
R$ 3.475,00
0,711
Morada Nova
2.779,23
68.456
R$ 210.359.000
R$ 3.130,00
0,670
Palhano
442,785
8.329
R$ 21.751.000
R$ 2.627,00
0,649
Quixeré
616,825
19.124
R$ 75.335.000
R$ 4.087,00
0,652
Russas
1.588,11
65.268
R$ 238.774.000
R$ 3.800,00
0,698
São João do Jaguaribe
280,436
9.117
R$ 26.960.000 
R$ 3.004,00
0,694
Tabuleiro do Norte
861,838
28.570
R$ 61.639.000 
R$ 2.192,00
0,698
Ceará
148.826
8.217.085
R$ 33.260.672,
R$ 4.170,00
0,699